Abel precisa entregar mais ou a torcida do Palmeiras exige demais?

O Palmeiras segue disputando tudo, mas o futebol apresentado gera críticas. Com o elenco que tem, Abel precisa entregar mais ou a torcida está exigindo demais?

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8/17/20264 min read

A torcida do Palmeiras exige demais ou Abel entrega de menos?

Poucos treinadores na história recente do futebol brasileiro conquistaram tanto quanto Abel Ferreira no Palmeiras.

Títulos, finais, campanhas consistentes e uma competitividade que transformou o clube em uma das principais forças do continente.

Por isso, qualquer discussão sobre seu trabalho precisa começar reconhecendo uma coisa:

Abel mudou o patamar do Palmeiras.

Mas talvez tenha mudado também o patamar da cobrança.

Hoje, vencer já não parece suficiente para parte da torcida. É preciso vencer, jogar bem, dominar os adversários e disputar praticamente todos os títulos.

E é verdade que o futebol apresentado pelo Palmeiras pode melhorar.

Com o elenco que Abel tem à disposição, existem motivos para esperar mais.

Mas existe uma diferença importante entre cobrar um futebol melhor e considerar que o trabalho precisa acabar.

O próprio Abel criou essa cobrança

Existe uma certa ironia nessa discussão.

Talvez ninguém seja mais responsável pela exigência atual da torcida palmeirense do que o próprio Abel.

Com ele, disputar títulos virou rotina.

O Palmeiras se acostumou a chegar.

Se acostumou a competir.

E, principalmente, se acostumou a ganhar.

O problema de transformar o extraordinário em rotina é que, depois de algum tempo, aquilo começa a parecer obrigação.

A torcida passa a olhar menos para o que está sendo conquistado e mais para aquilo que poderia estar sendo feito melhor.

E talvez seja exatamente isso que esteja acontecendo agora.

Com esse elenco, é justo esperar mais

As críticas ao futebol apresentado pelo Palmeiras não podem simplesmente ser ignoradas.

O clube investiu.

Abel possui um elenco com qualidade, alternativas e jogadores capazes de oferecer diferentes soluções.

Por isso, quando o time encontra dificuldades para criar, não consegue controlar partidas ou apresenta um futebol abaixo do esperado, é natural que o treinador seja questionado.

Se existem boas peças à disposição, Abel precisa encontrar a melhor maneira de utilizá-las.

A torcida tem razão quando acredita que esse Palmeiras pode jogar mais futebol.

E o próprio Abel provavelmente sabe disso.

Mas reconhecer isso não significa concluir que seu trabalho deixou de funcionar.

O Palmeiras joga abaixo do que pode, mas continua competindo

É justamente aqui que a discussão precisa ganhar proporção.

Apesar das críticas ao desempenho, Abel ainda mantém o Palmeiras na liderança do Campeonato Brasileiro.

O clube está nas quartas de final da Copa do Brasil.

E está muito próximo de alcançar também as quartas de final da Libertadores.

Ou seja, estamos falando de um time que pode não estar apresentando seu melhor futebol, mas que continua vivo e muito bem colocado nas três principais competições da temporada.

Isso precisa ter algum peso na análise.

Porque existe uma diferença enorme entre dizer:

“O Palmeiras precisa jogar melhor.”

e dizer:

“O trabalho de Abel precisa acabar.”

A primeira cobrança é perfeitamente compreensível.

A segunda parece difícil de justificar diante do cenário atual.

Jogar bem importa, mas competir também

Existe uma tendência natural de avaliar um time apenas pelo futebol apresentado naquele momento.

E desempenho importa.

Um elenco desse nível precisa mostrar evolução.

Mas futebol também é resultado, regularidade e capacidade de permanecer competitivo.

Mesmo sem apresentar tudo aquilo que poderia, o Palmeiras continua sendo um dos melhores times da América do Sul.

Talvez não esteja encantando.

Talvez não esteja dominando adversários como parte da torcida gostaria.

Mas continua disputando tudo.

E isso não acontece por acaso.

Existe mérito do elenco, da estrutura do clube e também do treinador.

Abel precisa encontrar novas soluções

Isso não significa que Abel esteja acima das críticas.

Muito pelo contrário.

Com jogadores diferentes e um elenco tão valorizado, o treinador também precisa encontrar novas maneiras de fazer o Palmeiras jogar.

Os adversários conhecem seu trabalho.

Estudam seus movimentos.

Sabem como o Palmeiras gosta de atacar e defender.

Permanecer tanto tempo no mesmo clube também cria esse desafio: é preciso se reinventar.

E talvez seja justamente isso que a torcida esteja cobrando.

Não necessariamente outro treinador.

Mas uma nova versão do Palmeiras de Abel Ferreira.

O passado dá crédito, não imunidade

Tudo o que Abel conquistou precisa ser considerado.

Mas não pode servir como resposta automática para qualquer crítica.

O passado garante crédito.

Não imunidade.

Quando o Palmeiras joga mal, Abel pode ser questionado.

Quando uma escalação não funciona, pode ser criticada.

Quando jogadores rendem abaixo do esperado, é justo perguntar se poderiam estar sendo utilizados de outra maneira.

Reconhecer a grandeza do trabalho de Abel e cobrar seu desempenho atual não são coisas incompatíveis.

Na verdade, talvez essa seja a maneira mais justa de analisar seu momento.

Cobrar é justo. Pedir o fim do trabalho é outra história

A torcida do Palmeiras tem motivos para acreditar que esse elenco pode jogar melhor.

E Abel tem responsabilidade nisso.

Com as peças que possui, é justo esperar um Palmeiras mais consistente, criativo e dominante.

Mas toda cobrança precisa ter proporção.

Estamos falando de um treinador que, mesmo em um momento no qual seu time não apresenta o melhor futebol, ainda mantém o Palmeiras na liderança do Brasileiro, nas quartas da Copa do Brasil e muito próximo das quartas da Libertadores.

Então qual seria a justificativa para encerrar o trabalho agora?

Porque o time poderia estar jogando melhor?

Isso é motivo para cobrar.

Não necessariamente para romper.

Talvez Abel seja vítima do próprio sucesso. Ele elevou tanto o nível do Palmeiras que simplesmente competir deixou de parecer suficiente.

Mas não podemos transformar excelência em obrigação permanente.

A torcida está certa em acreditar que o Palmeiras pode jogar mais.

E Abel precisa mostrar que consegue fazer esse elenco entregar mais.

Mas entre cobrar evolução e pedir o fim de um dos trabalhos mais vencedores e ainda competitivos do continente existe uma distância enorme.

No momento, a cobrança parece justa.

O pedido pelo fim do trabalho, não.

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