Como o Botafogo foi do topo à crise em menos de dois anos?
Campeão brasileiro e da Libertadores em 2024, o Botafogo vive hoje uma realidade completamente diferente. Dívidas, erros de gestão e escolhas questionáveis ajudam a explicar como o clube chegou até aqui.
BASTIDORES DO FUTEBOLÚLTIMAS ANÁLISES
Felipe Santana
8/17/20263 min read


Botafogo está pagando hoje pelo sucesso mal planejado de 2024?
Não existe discussão sobre o que 2024 representou para o Botafogo.
O clube conquistou a Libertadores e o Campeonato Brasileiro e viveu um dos maiores momentos de sua história.
A SAF elevou o nível de investimento, trouxe jogadores de qualidade e montou um elenco capaz de competir com os melhores times do continente.
O resultado apareceu.
Mas, olhando para a situação atual do clube, talvez seja necessário fazer outra pergunta:
o problema não foi chegar ao topo, mas a maneira como o Botafogo chegou lá?
Um time campeão que custou caro
John Textor transformou o poder de investimento do Botafogo.
O clube passou a fazer contratações que alguns anos antes pareciam impossíveis e conseguiu montar um dos melhores elencos do Brasil.
Investir não foi o problema.
O problema foi assumir compromissos que posteriormente se mostraram difíceis de cumprir.
Hoje, mesmo depois da saída e venda de diversos jogadores daquele período, o Botafogo ainda convive com uma enorme dívida relacionada à compra de atletas.
Na recuperação judicial, a relação de credores apresentou aproximadamente R$ 1,16 bilhão em dívidas relacionadas à aquisição de direitos econômicos de jogadores.
Isso mostra que o sucesso esportivo teve um custo que não terminou quando aqueles jogadores deixaram o clube.
O Botafogo aproveitou o resultado dentro de campo imediatamente.
A conta ficou para os anos seguintes.
O problema não terminou nas contratações
Depois de chegar ao topo, o Botafogo precisava mostrar que tinha um projeto capaz de continuar competitivo.
E aí começaram outros erros.
O clube perdeu jogadores importantes e não conseguiu manter a mesma estabilidade no comando técnico.
Em diferentes momentos, apostou em treinadores com pouca experiência ou pouca bagagem para assumir um clube que havia acabado de conquistar a América e que, naturalmente, passou a conviver com uma cobrança muito maior.
Não significa que um treinador jovem ou pouco experiente necessariamente dará errado.
Mas um clube vivendo um momento de instabilidade talvez precisasse justamente do contrário: um treinador preparado para suportar pressão, reorganizar o elenco e dar estabilidade ao projeto.
As apostas não funcionaram como esperado e as mudanças continuaram.
O 6 a 1 é consequência da crise, mas não pode ser tratado como normal
É nesse contexto que chegamos à derrota por 6 a 1 para o Cienciano.
É claro que existem fatores que ajudam a explicar o resultado.
O jogo foi disputado na altitude de Cusco, o Botafogo não atravessa uma boa fase e o clube vive todos os problemas administrativos e financeiros já mencionados.
Tudo isso precisa ser considerado.
Mas nada disso torna aceitável um 6 a 1.
Estamos falando do Botafogo, campeão da América menos de dois anos atrás, enfrentando o Cienciano. Independentemente da altitude ou do momento vivido pelo clube, sofrer seis gols em uma partida continental é um resultado praticamente inaceitável.
E uma derrota desse tamanho precisa ter consequências.
Isso não significa necessariamente demitir treinador ou afastar jogadores no dia seguinte. Mas significa que a cobrança precisa existir.
Jogadores precisam ser cobrados pela postura apresentada. A comissão técnica precisa responder pelas escolhas e pela maneira como o time entrou e se comportou durante a partida. E a direção precisa avaliar sua própria responsabilidade pelo momento que o clube atravessa.
Os problemas fora de campo ajudam a entender como o Botafogo chegou até aqui.
Eles não podem virar desculpa para qualquer resultado dentro dele.
E agora?
Acreditar em uma virada depois de perder por 6 a 1 é extremamente difícil.
O Botafogo precisaria construir um resultado histórico no jogo de volta.
Mas talvez a principal cobrança nem seja pela classificação.
É pela postura.
O torcedor pode até entender que reverter uma diferença desse tamanho seja praticamente impossível, mas tem o direito de exigir um time diferente em campo.
Um Botafogo mais competitivo, organizado e, principalmente, disposto a mostrar que entendeu o tamanho do resultado sofrido em Cusco.
Porque existe uma diferença enorme entre não conseguir a classificação e simplesmente aceitar a eliminação.
O jogo de volta precisa servir, no mínimo, para mostrar uma reação.
O Botafogo está pagando a conta
Nada disso apaga 2024.
A Libertadores existe.
O Campeonato Brasileiro existe.
E o torcedor viveu um ano que ficará para sempre na história do clube.
Mas talvez os títulos tenham escondido problemas que só ficaram evidentes depois.
O Botafogo conseguiu construir rapidamente um time campeão, mas não conseguiu transformar aquele sucesso em estabilidade.
Gastou muito, assumiu compromissos difíceis de cumprir, perdeu jogadores importantes, errou em decisões esportivas e hoje ainda tenta reorganizar sua própria SAF.
Por isso, talvez a discussão não seja se 2024 valeu a pena.
Para o torcedor, provavelmente valeu.
A questão é se precisava custar tão caro para o futuro do clube.
Porque chegar ao topo foi uma conquista histórica.
O problema é que o Botafogo parece estar pagando hoje pela maneira como chegou lá.
Leia também
Perdeu, não pode ter férias?
https://maisqueresultado.com/perdeu-nao-pode-ter-ferias
Uma derrota precisa gerar cobrança, mas até onde um resultado ruim deve apagar tudo o que veio antes?
Futebol além do placar
Menos estatística vazia, mais leitura de espaço.
Início-Textos-Sobre-Contato
© 2026 Leitura de Espaço-Jornalismo tático independente.
ANÁLISE SEM FIRULA
