Da Série B ao topo da Séria A: o Athletico surpreende no Brasileirão
Recém promovido, sem grandes investimentos e com Viveros em grande fase, o Athletico desafia as expectativas e mostra que sua campanha no Brasileirão está longe de ser acaso.
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Felipe Santana
8/27/20265 min read


O Athletico voltou da Série B para brigar no topo — e ninguém esperava por isso
Há pouco tempo, o Athletico Paranaense estava disputando a Série B.
Hoje, está olhando para cima na tabela do Campeonato Brasileiro.
Depois de 24 rodadas, o Furacão ocupa a terceira colocação, com 44 pontos, atrás apenas de Palmeiras e Flamengo. São 13 vitórias, cinco empates e seis derrotas em uma campanha que dificilmente estava entre as mais esperadas antes de a bola começar a rolar.
E talvez seja justamente isso que torne o campeonato do Athletico tão interessante.
Não estamos falando de um clube que voltou para a Série A fazendo contratações milionárias ou montando um elenco recheado de estrelas.
O Athletico simplesmente construiu um time competitivo.
E está mostrando que, no futebol brasileiro, organização, continuidade e boas escolhas ainda podem diminuir uma diferença financeira que, no papel, parecia enorme.
De volta da Série B — mas sem jogar como recém-promovido
Para um clube que sobe da Série B, o primeiro objetivo costuma ser bastante claro:
Permanecer na Série A.
Depois, dependendo de como o campeonato se desenvolve, talvez seja possível começar a olhar para uma vaga na Sul-Americana ou até sonhar com algo maior.
O Athletico praticamente pulou essas etapas.
Já terminou o primeiro turno na terceira colocação, com 33 pontos, e continuou competitivo depois da pausa da Copa do Mundo.
Não parece um time preocupado em descobrir quantos pontos faltam para escapar do rebaixamento.
Parece um time que começa a fazer contas para saber onde pode chegar.
E isso muda completamente a dimensão da campanha.
Porque estar no G4 durante algumas rodadas pode acontecer.
Continuar lá depois de 24 jogos começa a deixar de ser acaso.
O dinheiro ajuda. Mas não joga sozinho
Olhe para alguns dos clubes que disputam as primeiras posições.
Palmeiras.
Flamengo.
Fluminense.
Cruzeiro.
São equipes que entraram no campeonato com expectativas altas e capacidade financeira importante.
O Athletico aparece no meio delas sem ter realizado uma transformação milionária no elenco depois do acesso.
Parte da explicação está justamente no planejamento feito ainda na Série B.
Jogadores como Viveros, Mendoza, Benavídez, Aguirre e Terán chegaram anteriormente já pensando também na formação de uma equipe capaz de competir na primeira divisão. Para a janela do meio de 2026, a ideia apresentada pelo técnico Odair Hellmann foi justamente evitar grandes mudanças e buscar reforços pontuais.
Talvez exista uma lição aí.
Nem sempre contratar mais significa melhorar mais.
Às vezes, conhecer aquilo que você já possui e corrigir necessidades específicas é mais importante do que começar tudo novamente.
A continuidade de Odair também explica muita coisa
No futebol brasileiro, treinador normalmente é uma das primeiras peças sacrificadas quando os resultados começam a oscilar.
O Athletico escolheu outro caminho.
Odair Hellmann completou um ano no comando do clube em maio e se tornou o treinador mais longevo do Furacão desde Tiago Nunes. Essa continuidade permitiu não apenas desenvolver uma maneira de jogar, mas também participar diretamente da construção do elenco.
Viveros e Mendoza, por exemplo, foram indicações do treinador.
Mas talvez o maior benefício da continuidade seja algo menos visível.
Odair conhece o elenco.
Sabe quais jogadores podem entregar mais.
Consegue encontrar soluções dentro do próprio clube.
E não precisa reconstruir o time a cada três meses.
Parece básico.
No futebol brasileiro, não é.
Viveros transformou uma boa campanha em algo ainda maior
Todo time que surpreende em um campeonato acaba tendo um personagem que simboliza aquela campanha.
No Athletico, esse jogador é Kevin Viveros.
O colombiano chegou aos 16 gols no Campeonato Brasileiro depois de marcar duas vezes na vitória por 3 a 2 sobre o Botafogo e assumiu novamente a artilharia da competição, ultrapassando Pedro, do Flamengo.
Mas talvez o número mais impressionante seja outro.
Além dos 16 gols, Viveros tem três assistências. São 19 participações diretas em gols do Athletico no campeonato.
É uma dependência?
Em alguma medida, sim.
Mas também é aquilo que praticamente todo time competitivo precisa ter: alguém capaz de transformar oportunidades em pontos.
O futebol pode ser extremamente coletivo durante 89 minutos.
Às vezes, porém, basta um jogador precisar de alguns segundos para decidir uma partida.
E Viveros está fazendo isso.
A Copa do Brasil mostrou que o Athletico também tem limites
A campanha no Brasileiro não significa que tudo esteja funcionando perfeitamente.
A eliminação na Copa do Brasil mostrou isso de maneira bastante dura.
O Athletico perdeu por 4 a 0 para o Vitória nas oitavas de final e sofreu sua pior derrota desde a chegada de Odair Hellmann. Naquela partida, justamente alguns dos pilares da campanha no Brasileiro apresentaram problemas: a defesa ofereceu espaços, o goleiro Santos falhou e Viveros não conseguiu decidir no ataque.
Foi uma eliminação decepcionante.
Mas também existe outra maneira de olhar para ela.
O Athletico agora tem praticamente um objetivo principal até o fim da temporada.
O Campeonato Brasileiro.
E um time que já está na terceira colocação passa a ter a possibilidade de transformar uma temporada que começou com a expectativa de reconstrução em algo muito maior.
Libertadores já não pode ser tratada apenas como sonho
No começo do campeonato, falar em Libertadores provavelmente pareceria otimismo demais.
Agora seria estranho não falar.
O Athletico está em terceiro.
Está apenas um ponto atrás do Flamengo.
E vem apresentando uma regularidade que não começou ontem.
Depois da retomada do futebol brasileiro em julho, inclusive, o Furacão registrou o melhor aproveitamento entre os clubes da Série A considerando todas as competições: 70,8%, com cinco vitórias, dois empates e apenas uma derrota no período analisado.
Portanto, a discussão mudou.
A pergunta já não deveria ser apenas se o Athletico conseguirá permanecer na primeira divisão.
Também não deveria ser simplesmente se conseguirá uma vaga na Sul-Americana.
A Libertadores virou um objetivo absolutamente possível.
E talvez ainda seja cedo para estabelecer um limite.
Até onde esse Athletico pode chegar?
É improvável que o Athletico tenha elenco, orçamento ou quantidade de opções comparáveis aos principais favoritos ao título.
Isso continua sendo uma vantagem importante para Palmeiras, Flamengo e outros clubes mais poderosos financeiramente.
Mas futebol não é uma planilha em que o maior orçamento automaticamente termina na melhor posição.
O Athletico está provando isso.
Voltou da Série B.
Manteve seu treinador.
Preservou uma base.
Fez escolhas que funcionaram.
Encontrou um centroavante que vive a melhor fase do campeonato.
E, enquanto outros clubes ainda tentam descobrir qual é a melhor versão de seus times, o Athletico parece saber exatamente o que precisa fazer para competir.
Talvez não seja suficiente para disputar o título até dezembro.
Talvez Viveros não consiga manter esse ritmo absurdo de gols.
Talvez um elenco menos estrelado sinta o peso da reta final.
Tudo isso pode acontecer.
Mas existe algo que já não deveria mais ser tratado como acaso:
o Athletico Paranaense não está fazendo apenas uma boa campanha para um time que veio da Série B.
Está fazendo uma das melhores campanhas do Campeonato Brasileiro.
E, depois de 24 rodadas, talvez seja hora de parar de perguntar quando o Athletico vai cair na tabela.
A pergunta agora é outra:
até onde ele pode chegar?
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