Memphis fora do Corinthians: decisão financeira ou pressão política?

Memphis aceitou reduzir salário, abriu mão de bônus e a renovação parecia encaminhada. Então, por que o Corinthians recuou? Questão financeira ou pressão política?

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Felipe Santana

8/12/20265 min read

Corinthians não renovou com Memphis: questão financeira ou pressão política?

A decisão do Corinthians de não renovar com Memphis Depay deixou uma pergunta difícil de responder: foi realmente uma decisão financeira ou a pressão política dentro do clube falou mais alto?

É claro que o Corinthians atravessa uma situação financeira complicada e que manter um jogador do tamanho de Memphis representa um investimento elevado. Porém, quando analisamos como as negociações estavam caminhando e as possíveis consequências da não renovação, a explicação puramente financeira começa a gerar dúvidas.

Os números tornam a decisão difícil de entender

O Corinthians deve cerca de R$ 40 milhões a Memphis, valor que vinha sendo discutido dentro das negociações para um novo contrato.

Em uma eventual renovação, o clube teria que arcar com essa dívida e também com os salários previstos no novo vínculo.

Por outro lado, com a decisão de não renovar e o possível conflito jurídico, os valores relacionados à dívida podem aumentar significativamente com multas e juros, chegando a cifras próximas dos R$ 70 milhões.

O próprio jogador já afirmou que pretende buscar seus direitos.

É justamente nesse ponto que a justificativa financeira precisa ser melhor explicada.

Se a renovação permitiria negociar uma dívida que já existe e manter um jogador importante para o elenco, enquanto a ruptura pode fazer essa mesma dívida aumentar consideravelmente, qual foi exatamente a economia que fez o Corinthians desistir do acordo?

Isso não significa necessariamente que renovar seria mais barato. Um novo contrato também envolveria salários e outros compromissos.

Mas significa que a diretoria precisa apresentar melhor essa conta.

Se o problema era dinheiro, por que a negociação chegou tão longe?

Esse talvez seja o ponto que mais aumenta as dúvidas sobre a decisão.

Se o Corinthians entendia que não tinha condições financeiras de renovar com Memphis, por que arrastou a negociação durante tanto tempo?

Durante as conversas, o jogador demonstrou interesse em permanecer e aceitou diversas condições apresentadas pelo clube.

Memphis aceitou reduzir seu salário, retirar bônus e premiações e renegociar valores que tinha para receber.

O Corinthians ainda solicitou que o atacante realizasse exames médicos antes da conclusão do novo vínculo.

A negociação chegou a um estágio tão avançado que Memphis assinou sua parte do contrato e aguardava a conclusão do processo pelo Corinthians.

Então aconteceu o inesperado.

O clube recuou.

Esse detalhe muda bastante a discussão.

Não estamos falando de uma negociação encerrada porque jogador e clube não conseguiram chegar a um acordo financeiro.

Pelo contrário.

Memphis fez concessões, aceitou as condições apresentadas e cumpriu as etapas solicitadas pelo próprio Corinthians.

Se mesmo depois de tudo isso a diretoria decidiu desistir, é natural perguntar:

o que mudou entre o acordo encaminhado e a decisão final?

A política passa a ser uma explicação ainda mais forte

É justamente nesse intervalo que a questão política ganha ainda mais importância.

O ambiente político do Corinthians está longe de ser tranquilo. Existem diferentes grupos disputando espaço e uma renovação envolvendo valores tão elevados naturalmente gera pressão sobre a atual administração.

Se a negociação tivesse parado porque Memphis recusou reduzir seus vencimentos, seria fácil compreender.

Se tivesse parado porque o jogador exigiu bônus considerados inviáveis, também.

Se o Corinthians tivesse apresentado sua proposta e Memphis recusado, novamente existiria uma explicação objetiva.

Mas aparentemente aconteceu o contrário.

O jogador aceitou fazer concessões para ficar.

Por isso, quanto mais se conhece sobre a negociação, mais difícil fica sustentar que somente a questão financeira explica a mudança de posição.

Os problemas financeiros certamente tiveram peso.

Mas alguma coisa parece ter mudado na reta final.

E é justamente isso que o Corinthians precisa explicar.

O torcedor tem motivos para não entender

Existe ainda o lado esportivo.

Memphis não é mais uma aposta que precisa provar se consegue jogar no Brasil.

Ele já está adaptado ao Corinthians, criou identificação com o clube e com a cidade e mostrou dentro de campo que pode entregar resultados.

Toda grande contratação envolve riscos. O jogador pode não se adaptar ao país, ao futebol brasileiro, ao elenco ou à pressão de vestir uma camisa como a do Corinthians.

Com Memphis, boa parte dessas dúvidas já havia sido respondida.

O clube sabia exatamente quem estava tentando renovar.

Por isso, para o torcedor, fica ainda mais difícil compreender como uma negociação tão avançada terminou dessa maneira.

A decisão precisa ser explicada

Não renovar com Memphis é uma decisão que a diretoria tem todo o direito de tomar.

Mas uma decisão desse tamanho também precisa ser explicada.

Principalmente porque existe uma diferença enorme entre simplesmente não chegar a um acordo e chegar próximo da conclusão de uma negociação para depois desistir dela.

Se Memphis não aceitasse as condições do Corinthians, a história praticamente terminaria ali.

Mas se o jogador aceitou reduzir salário, abriu mão de bônus e premiações, realizou os exames solicitados e chegou ao ponto de assinar sua parte do contrato, a pergunta passa a ser outra.

Por que o Corinthians mudou de ideia?

Se foi uma decisão financeira, a diretoria precisa explicar quais números mudaram.

Se foi uma decisão esportiva, precisa explicar por que um jogador que fazia parte dos planos deixou de fazer.

E se houve interferência política, o torcedor também merece saber até que ponto isso pesou.

Afinal, foi política ou dinheiro?

A situação financeira do Corinthians é grave e seria irresponsável ignorá-la.

Mas justamente por isso surge uma contradição.

O Corinthians conhecia sua situação financeira quando começou a negociar.

Conhecia a dívida com Memphis.

Conhecia o salário do jogador.

Conhecia o custo de uma renovação.

Mesmo assim, continuou negociando.

Memphis fez concessões.

A negociação avançou.

Os exames foram realizados.

O jogador assinou sua parte.

E então o Corinthians recuou.

Por isso, diante das informações conhecidas até agora, a questão política parece ter ganhado um peso muito maior na decisão final do que simplesmente uma divergência financeira entre clube e jogador.

Isso não significa afirmar que a política foi definitivamente responsável pela não renovação.

Significa que a versão financeira, sozinha, deixa perguntas demais sem resposta.

Memphis agora pode deixar o clube e buscar seus direitos sobre uma dívida que pode ficar ainda maior.

O Corinthians perde um jogador adaptado, identificado e que já mostrou capacidade de entregar resultados.

E o torcedor fica tentando entender como uma renovação que parecia praticamente encaminhada terminou de uma hora para outra.

No fim, talvez a maior pergunta não seja por que Memphis não renovou com o Corinthians.

A pergunta é: o que aconteceu entre o “sim” de Memphis e o “não” do Corinthians?

Essa é a resposta que a política do clube ainda deve ao torcedor.

Leia também: Antes da decisão pela não renovação, a relação entre Corinthians e Memphis já levantava dúvidas sobre valores, contrato e planejamento. Entenda os outros capítulos dessa história no nosso artigo sobre Memphis Depay e o Corinthians.

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