São Paulo é eliminado pelo Boca e crise expõe problemas muito maiores que o VAR
São Paulo empata com o Boca, é eliminado da Sul-Americana e vê crise financeira, pressão, atrasos salariais e decisões internas aumentarem a preocupação para o restante da temporada.
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Felipe Santana
9/17/20268 min read


São Paulo é eliminado pelo Boca, mas o problema vai muito além do VAR
O São Paulo está eliminado da Copa Sul-Americana. E, depois de uma noite em que quase tudo deu errado no MorumBIS, seria muito fácil escolher um culpado: a arbitragem, o VAR, o gol anulado ou até mesmo a pressão da torcida.
Mas seria confortável demais.
A realidade é que o São Paulo fez uma partida muito ruim para uma equipe que precisava reverter uma derrota por 1 a 0 sofrida na Argentina. Criou pouco, demorou para reagir, sofreu um gol em um contra-ataque e só conseguiu marcar quando o relógio já caminhava para o fim.
O empate por 1 a 1 não foi suficiente. O Boca Juniors avançou, e o São Paulo ficou pelo caminho.
Mas talvez a eliminação seja apenas o capítulo mais recente de uma crise que há algum tempo deixou de ser apenas esportiva.
Para quem precisava virar, o São Paulo criou muito pouco
O primeiro tempo resume bem o problema.
O São Paulo precisava vencer. Jogava em casa, diante de sua torcida e carregava a obrigação de buscar o resultado depois da derrota no primeiro jogo.
Mesmo assim, criou muito pouco.
Houve algumas oportunidades, incluindo uma bola que acertou o travessão, mas faltou volume ofensivo e, principalmente, a intensidade que uma partida desse tamanho exigia.
Para quem precisava virar uma eliminatória, duas ou três chances durante os primeiros 45 minutos são insuficientes.
O São Paulo precisava colocar o Boca contra as cordas.
Não conseguiu.
O time argentino conseguiu administrar o jogo e, enquanto o São Paulo tinha dificuldades para criar, esperava uma oportunidade para atacar os espaços.
Ela apareceu no segundo tempo.
O gol do Boca tornou uma missão difícil praticamente impossível
Aos 15 minutos do segundo tempo, Lozano aproveitou um contra-ataque e colocou o Boca na frente.
A partir daquele momento, a situação ficou ainda mais complicada.
O São Paulo precisava marcar dois gols para avançar.
Só que já havia demonstrado durante boa parte da partida que tinha dificuldades para criar sequer uma oportunidade clara atrás da outra.
O relógio corria.
A pressão aumentava.
E o Boca começava a ficar cada vez mais confortável com o resultado.
Foi então que surgiu o lance que provavelmente será discutido durante os próximos dias.
O gol anulado e a discussão sobre o VAR
O São Paulo chegou a marcar com Ryan Francisco, mas o gol foi anulado por impedimento de Luciano.
O lance foi extremamente ajustado e certamente vai gerar discussão entre torcedores e analistas.
E é compreensível.
O futebol brasileiro já convive com o impedimento semiautomático, enquanto a Sul-Americana ainda utiliza o sistema tradicional de linhas traçadas pelo VAR em determinadas fases da competição.
É justamente aí que surge uma discussão legítima sobre a tecnologia.
Se existe uma ferramenta capaz de tornar uma decisão desse tipo mais precisa, por que ela não está disponível em toda a competição?
Mas existe uma diferença importante entre questionar a tecnologia e colocar a eliminação na conta da arbitragem.
O São Paulo pode questionar o lance.
Pode considerar a decisão injusta.
Pode defender que o gol deveria ter sido validado.
Mas não pode utilizar o VAR como escudo para esconder uma atuação ruim.
Mesmo que o gol tivesse sido validado, o São Paulo ainda precisaria buscar outro.
O problema foi que a equipe demorou demais para jogar o futebol que precisava jogar.
O empate chegou tarde demais
Aos 43 minutos do segundo tempo, Domingos Duarte finalmente conseguiu marcar para o São Paulo.
Era o gol que devolvia alguma esperança.
Mas era tarde.
O time precisava de mais um.
E não havia mais tempo.
O empate por 1 a 1 confirmou a eliminação por 2 a 1 no placar agregado.
O Boca fez o suficiente.
O São Paulo, não.
E talvez essa seja a conclusão mais difícil para o torcedor aceitar.
A arbitragem não pode virar um escudo para os problemas do São Paulo
Depois de uma eliminação, é natural procurar explicações.
Um erro de arbitragem chama atenção.
Um gol anulado gera revolta.
Uma decisão do VAR vira assunto nas redes sociais.
Mas existe o risco de transformar tudo isso em uma cortina de fumaça.
Porque os problemas do São Paulo não começaram com aquele impedimento.
O clube já vinha enfrentando dificuldades financeiras, atrasos salariais, pressão interna e instabilidade esportiva.
E, depois da eliminação, as próprias declarações de integrantes do clube ajudaram a revelar o tamanho do problema.
Luciano expõe uma situação que não pode ser ignorada
Luciano foi um dos jogadores que mais chamou atenção depois da partida.
O atacante afirmou que não recebe corretamente desde que chegou ao São Paulo.
É uma declaração extremamente pesada.
Estamos falando de um jogador que está há anos no clube e que construiu uma relação forte com a torcida.
Luciano também deixou claro seu desejo de continuar defendendo o São Paulo e tentou separar os problemas financeiros do desempenho dentro de campo.
Mas existe uma pergunta inevitável:
é realmente possível acreditar que meses ou anos de problemas financeiros não tenham nenhum impacto sobre um grupo de jogadores?
Talvez o atleta consiga entrar em campo e tentar deixar tudo isso para trás durante 90 minutos.
Mas o ambiente de trabalho influencia qualquer profissional.
E futebol não é diferente.
Quando existe insegurança fora de campo, ela pode inevitavelmente chegar ao vestiário.
O problema financeiro deixou de ser apenas administrativo
As dificuldades financeiras do São Paulo já não parecem ser apenas um assunto restrito aos escritórios do clube.
Elas chegaram ao elenco.
Chegaram às entrevistas.
Chegaram ao torcedor.
E isso deveria ser motivo de enorme preocupação.
Um clube da dimensão do São Paulo precisa ter condições mínimas para manter seu elenco funcionando normalmente.
Se os próprios jogadores começam a falar publicamente sobre atrasos, o problema já ultrapassou os limites de uma simples dificuldade de fluxo de caixa.
É uma questão que pode afetar o ambiente, a confiança e a relação entre jogadores, diretoria e torcida.
E então voltamos ao caso Crespo
Talvez nenhum episódio simbolize melhor a atual situação do São Paulo do que a discussão envolvendo Hernán Crespo.
O treinador foi demitido depois de afirmar que o objetivo do São Paulo precisava ser alcançar os 45 pontos no Campeonato Brasileiro.
Na época, a declaração incomodou.
Para parte do ambiente do clube, falar em 45 pontos parecia assumir uma realidade que ninguém queria admitir publicamente.
Mas o tempo passou.
E o São Paulo continua precisando olhar para essa mesma meta.
Meses atrás, a fala dos 45 pontos foi tratada como pessimismo. Hoje, com o Tricolor ainda lutando para se afastar da parte de baixo da tabela, a pergunta volta com força: Crespo apenas enxergou antes a realidade que ninguém queria admitir?
Leia também: Crespo estava certo? A realidade que o São Paulo não queria ouvir.
https://maisqueresultado.com/crespo-estava-certo-a-realidade-que-o-sao-paulo-nao-queria-ouvir
Essa é uma discussão que o São Paulo precisa enfrentar.
Não é possível afirmar que Crespo tenha sido demitido exclusivamente por ter falado sobre os 45 pontos. Isso seria ir além do que está comprovado.
Mas existe uma ironia impossível de ignorar.
A realidade que parecia tão incômoda naquele momento continua presente.
E agora o próprio Rafinha admitiu que a decisão de demitir Crespo pode ter acontecido no momento errado.
Rafinha não assumiu exatamente um erro — e isso também diz muito
Rafinha afirmou que, mais cedo ou mais tarde, Crespo seria demitido.
Ou seja, ele não voltou atrás completamente na decisão.
Mas admitiu que o momento da saída poderia ter sido equivocado.
E aqui fica uma questão importante.
Se o treinador seria demitido de qualquer maneira, mas o momento foi errado, então por que não esperar?
Por que tomar uma decisão justamente quando o clube atravessava uma situação tão delicada?
Rafinha não disse que Crespo estava certo sobre os 45 pontos.
Mas sua declaração sobre o momento da demissão inevitavelmente reabre aquela discussão.
Porque hoje o São Paulo continua olhando para a tabela e pensando justamente em como alcançar uma pontuação que permita respirar com mais tranquilidade.
Crespo pode não ter sido perfeito.
Mas talvez tenha sido mais realista do que o clube gostaria de admitir.
Dorival coloca a pressão da torcida na conta da atuação
E para completar uma noite já complicada, Dorival Júnior falou sobre a pressão da torcida.
O treinador afirmou que os jogadores sentiram o ambiente e ficaram nervosos, o que ajudaria a explicar uma atuação tão abaixo do esperado.
É uma declaração que merece reflexão.
A torcida estava pressionando?
Sim.
Mas existe uma outra pergunta:
o que se espera de um time do tamanho do São Paulo em uma decisão dentro do MorumBIS?
Que a torcida fique em silêncio?
Que não cobre?
Que não demonstre indignação?
A pressão faz parte do futebol.
Principalmente em um clube grande.
O problema é quando o time entra em campo e parece sentir o peso da própria camisa justamente no momento em que mais precisa responder.
A torcida não pode jogar pelo São Paulo.
Mas o São Paulo também não pode transformar a pressão da torcida em justificativa para uma atuação ruim.
A Série B ainda não é realidade, mas ignorar o risco seria irresponsável
É importante fazer uma distinção.
O São Paulo não está condenado ao rebaixamento.
Mas também não pode agir como se a possibilidade fosse completamente absurda.
Na rodada 28, o clube tinha 33 pontos e ainda precisava buscar a pontuação necessária para afastar qualquer risco.
Restavam 12 rodadas.
Ou seja, ainda existe tempo para reagir.
Mas o problema é que a tabela não é analisada isoladamente.
É preciso olhar para o contexto.
Problemas financeiros.
Atrasos.
Instabilidade.
Pressão.
Eliminação de competições.
Mudanças de comando.
Um elenco pressionado.
Tudo isso junto cria um cenário que precisa ser tratado com muita seriedade.
O São Paulo precisa parar de procurar culpados fora de casa
A arbitragem pode ser questionada.
O VAR pode ser discutido.
A tecnologia da Conmebol pode e deve ser debatida.
Mas nada disso pode impedir o São Paulo de fazer a pergunta mais importante:
o que está acontecendo dentro do clube?
Porque é muito mais fácil culpar o árbitro do que admitir que o time jogou mal.
É muito mais fácil discutir um impedimento de centímetros do que explicar por que uma equipe que precisava vencer criou tão pouco.
É mais fácil falar da pressão da torcida do que entender por que os jogadores ficaram nervosos.
E é muito mais fácil trocar o treinador do que resolver os problemas estruturais do clube.
Uma noite em que tudo deu errado
O São Paulo começou a noite precisando virar uma eliminatória.
Jogou pouco.
Criou pouco.
Sofreu um gol.
Teve um gol anulado em um lance extremamente discutível.
Reagiu apenas no final.
Empatou, mas não conseguiu buscar o segundo gol.
Foi eliminado.
Depois vieram as declarações sobre salários atrasados.
Vieram as explicações sobre a pressão.
Veio a discussão novamente sobre Crespo.
E tudo isso acontece enquanto o clube ainda precisa administrar uma temporada extremamente complicada.
Por isso, a eliminação para o Boca não deveria ser tratada apenas como mais uma derrota.
Ela deveria servir como um alerta.
O São Paulo precisa colocar a casa em ordem.
Precisa resolver seus problemas financeiros.
Precisa dar estabilidade ao futebol.
Precisa recuperar a confiança do elenco.
E precisa parar de procurar explicações externas para problemas que estão dentro do próprio clube.
O Boca eliminou o São Paulo da Sul-Americana.
Mas talvez o maior adversário do São Paulo neste momento esteja dentro do próprio MorumBIS.
E se o clube não mudar rapidamente a forma como está conduzindo seus problemas, os próximos anos podem ser muito mais difíceis do que o torcedor gostaria de imaginar.
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