Flamengo x Cruzeiro: o futebol que dá gosto de assistir
Pouca cera, muita intensidade e dois times buscando o resultado. Flamengo e Cruzeiro mostraram como um grande mata-mata deveria ser jogado.
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Felipe Santana
8/20/20264 min read


Flamengo x Cruzeiro: quando o futebol dá gosto de assistir
Flamengo e Cruzeiro entraram em campo sabendo que apenas um deles continuaria vivo na Libertadores.
Depois do empate por 1 a 1 no Mineirão, tudo estava aberto para o jogo de volta no Maracanã.
Era mata-mata. Havia pressão, nervosismo e uma vaga nas quartas de final em disputa.
O cenário perfeito para um jogo travado, cheio de interrupções e com duas equipes preocupadas primeiro em não perder.
Mas aconteceu praticamente o contrário.
Flamengo e Cruzeiro decidiram jogar futebol.
O Flamengo mereceu. Mas o Cruzeiro também poderia ter passado
O Flamengo fez uma grande partida e sua classificação foi merecida.
Principalmente no primeiro tempo, conseguiu impor seu jogo, criou oportunidades e mostrou a qualidade de um dos melhores elencos do futebol brasileiro.
Mas reconhecer os méritos do Flamengo não significa diminuir o Cruzeiro.
Talvez essa seja uma das melhores coisas que esse confronto deixou.
O Cruzeiro foi eliminado depois de dois jogos em que mostrou uma proposta interessante, competiu e teve condições reais de avançar.
Se tivesse conseguido a classificação, também seria possível olhar para os dois jogos e considerá-la justa.
No futebol, temos o hábito de olhar para quem passou e tentar encontrar todos os acertos, enquanto procuramos os erros de quem foi eliminado.
Nem sempre precisa ser assim.
Às vezes, dois times fazem por merecer.
Mas mata-mata não permite que os dois avancem.
Dois times querendo o resultado
Foi isso que tornou o confronto tão interessante.
Nenhuma das equipes parecia satisfeita simplesmente em esperar.
Quando tinha a bola, o Flamengo queria atacar.
Quando encontrava espaço, o Cruzeiro também buscava o gol.
E quando o placar mudava, o comportamento das equipes não se transformava imediatamente em uma tentativa de matar o jogo através do relógio.
Havia intensidade.
Havia qualidade.
E, principalmente, havia futebol.
Pode parecer estranho elogiar algo que deveria ser normal, mas quem acompanha mata-matas sul-americanos sabe quantas vezes uma partida importante se transforma em um festival de paralisações.
Jogador caído.
Goleiro demorando para cobrar.
Discussões.
Substituições arrastadas.
A bola ficando cada vez menos tempo em jogo.
Flamengo e Cruzeiro entregaram outra coisa.
Entregaram um confronto em que dava gosto de assistir.
Jorginho e alguns centímetros que poderiam mudar tudo
Talvez nenhum lance represente melhor o equilíbrio do confronto do que a bola salva por Jorginho praticamente em cima da linha.
Por muito pouco, o Cruzeiro não conseguiu novamente o empate.
O lance foi tão apertado que as imagens geraram discussão sobre se a bola havia ou não ultrapassado completamente a linha.
A decisão de campo foi mantida após a revisão.
E esse lance também ajuda a entender como funciona um mata-mata desse nível.
Alguns centímetros podem separar uma classificação de uma eliminação.
Se aquela bola entra, a história poderia ser completamente diferente.
Mas ela não entrou.
E o Flamengo avançou.
Saber perder também valoriza o futebol
Outro aspecto que merece destaque aconteceu depois que a bola parou de rolar.
Pedro Lourenço, dono da SAF do Cruzeiro, poderia ter concentrado sua análise justamente nas possíveis polêmicas da partida.
Poderia ter usado o lance salvo por Jorginho como principal argumento para explicar a eliminação.
É um caminho bastante conhecido no futebol brasileiro.
Quando o resultado não vem, muitas vezes é mais fácil procurar uma decisão de arbitragem, uma imagem inconclusiva ou algum episódio específico para transformar em justificativa.
Mas a postura foi diferente.
Ao analisar a eliminação, houve espaço para reconhecer a qualidade do Flamengo e também admitir que o Cruzeiro não viveu sua melhor noite.
Isso também precisa ser valorizado.
Reconhecer os méritos do adversário não significa aceitar passivamente uma derrota.
Muito menos deixar de questionar uma decisão de arbitragem quando houver motivo.
Significa apenas entender que nem toda derrota precisa terminar com a busca por um culpado.
O Cruzeiro poderia ter avançado.
Jogou futebol para isso durante o confronto.
Mas o Flamengo também fez por merecer e foi quem conseguiu transformar sua superioridade em classificação.
Saber reconhecer isso depois de uma eliminação talvez seja tão saudável para o futebol quanto aquilo que vimos dentro de campo.
Depois da Copa, um jogo que lembrou por que gostamos de futebol
A Copa do Mundo de 2026 aumentou naturalmente nosso nível de comparação.
Foram semanas acompanhando grandes jogadores, seleções qualificadas e partidas disputadas no mais alto nível.
Depois dela, voltar ao futebol de clubes poderia provocar aquela sensação de queda de intensidade.
Flamengo x Cruzeiro fez o contrário.
Foi um daqueles confrontos que lembram que o futebol brasileiro também tem qualidade para produzir grandes jogos.
Não precisa ser uma partida perfeita.
Não precisa terminar 5 a 4.
Um grande jogo também pode ser aquele em que existem duas equipes qualificadas, intensidade, alternativas e vontade de vencer.
Talvez seja esse o futebol que queremos assistir
O Flamengo está nas quartas de final.
O Cruzeiro está eliminado.
Essa é a parte objetiva do confronto.
Mas olhar apenas para ela seria desperdiçar justamente o que houve de melhor nesses dois jogos.
O Flamengo mostrou por que possui um dos times mais fortes do continente.
O Cruzeiro mostrou que sua evolução não depende apenas dos resultados e que existe uma proposta de futebol capaz de competir contra os melhores.
Um venceu.
O outro perdeu.
Mas nenhum deles precisou transformar o futebol em uma guerra contra o relógio para buscar seu objetivo.
Talvez seja isso que tenha feito o confronto ser tão agradável.
Em meio a tantas discussões sobre arbitragem, VAR, cera e reclamações, Flamengo e Cruzeiro lembraram de uma coisa muito mais simples:
quando dois times entram em campo realmente dispostos a jogar futebol, dá gosto de assistir.
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