O Palmeiras está definhando como no ano passado?
O Palmeiras perdeu a liderança do Brasileirão e voltou a levantar dúvidas na reta final da temporada. Abel Ferreira está sob pressão?
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Felipe Santana
9/11/20266 min read


O Palmeiras está definhando como no ano passado? Abel Ferreira precisa reagir antes que seja tarde
Durante boa parte de 2026, o Palmeiras parecia ter encontrado o caminho para transformar a temporada em mais um capítulo vitorioso da era Abel Ferreira.
Liderança do Campeonato Brasileiro, vantagem confortável sobre os concorrentes, classificação na Copa do Brasil e mais uma campanha competitiva na Libertadores.
O problema é que, justamente quando a temporada entra no momento em que não há mais espaço para erros, o Palmeiras começou a tropeçar.
E a pergunta que começa a incomodar o torcedor é inevitável:
o Palmeiras está repetindo o que aconteceu no final do ano passado?
A resposta ainda não pode ser definitiva. Mas os sinais de alerta estão cada vez mais claros.
De líder absoluto a segundo colocado
O Palmeiras chegou a abrir oito pontos de vantagem na liderança do Campeonato Brasileiro e permaneceu na primeira colocação desde a sétima rodada.
Parecia ter construído uma gordura suficiente para administrar a reta final.
Só que a vantagem desapareceu.
Depois de uma sequência de resultados abaixo do esperado, o Palmeiras empatou por 0 a 0 contra o Botafogo e perdeu a liderança justamente para o Flamengo. O time carioca chegou aos 54 pontos, enquanto o Palmeiras ficou com 53.
O detalhe que aumenta a preocupação é que o Palmeiras não perdeu a liderança depois de ser atropelado por um concorrente direto.
Perdeu porque deixou pontos pelo caminho.
E esse talvez seja o maior motivo de preocupação.
Na reta final do campeonato, jogos assim precisam ser vencidos. Não basta ter mais posse de bola, finalizar mais ou controlar o adversário.
É preciso transformar superioridade em resultado.
O fantasma de 2025 voltou?
É impossível olhar para o momento atual sem lembrar do final da temporada passada.
Em 2025, o Palmeiras também chegou à reta decisiva cercado de expectativas, mas perdeu força justamente quando precisava mostrar estabilidade.
A diferença é que agora Abel Ferreira conhece muito bem esse tipo de situação.
Ele já viveu a pressão de disputar títulos até as últimas rodadas. Já viu equipes reagirem quando pareciam derrotadas e também experimentou a frustração de perder competições que pareciam ao alcance.
Por isso, a questão não é simplesmente se Abel é um treinador capaz.
Ele já provou que é.
A pergunta é outra:
Abel ainda consegue fazer este Palmeiras reagir quando o time mais precisa dele?
Essa pressão sobre Abel não é novidade. O treinador já falou diversas vezes sobre a cobrança por resultados e sobre como a obsessão por vencer pode afetar o futebol. Mas até que ponto essa pressão está influenciando o momento atual do Palmeiras?
Leia também: Abel tem razão? O futebol está doente pela obsessão em ganhar
https://maisqueresultado.com/abel-tem-razao-o-futebol-esta-doente-pela-obsessao-em-ganhar
Abel está sentindo a pressão?
Talvez seja cedo para afirmar que Abel perdeu o controle do ambiente.
Mas seria impossível ignorar que algo mudou.
A entrevista depois do empate contra o Botafogo foi um exemplo disso.
Em um momento de irritação, Abel fez declarações que provocaram uma reação negativa entre torcedores. Depois, ao rever suas falas, o treinador reconheceu que havia se expressado mal e pediu desculpas.
Após a vitória sobre a LDU, Abel admitiu o erro e reforçou que ninguém está acima do Palmeiras.
O episódio, por si só, não significa que o treinador perdeu o vestiário.
Mas revela algo importante:
a pressão chegou até o Abel.
Durante muito tempo, o treinador parecia conseguir blindar o elenco de praticamente qualquer problema externo.
Agora, ele próprio está no centro da discussão.
O problema é Abel ou os jogadores?
Essa talvez seja a pergunta mais difícil.
É muito simples colocar toda a responsabilidade sobre o treinador quando uma equipe começa a apresentar queda de rendimento.
Mas o Palmeiras também tem problemas dentro de campo.
O time tem encontrado dificuldades contra adversários que fecham os espaços, demora para transformar posse em chances realmente perigosas e, em alguns momentos, parece depender demais de jogadas individuais.
Contra o Botafogo, por exemplo, o Palmeiras terminou com 63% de posse de bola e 17 finalizações, mas não conseguiu marcar.
Isso levanta uma discussão importante: será que as ideias de Abel ainda estão chegando aos jogadores da mesma maneira?
Ou será que o treinador precisa encontrar novas soluções para um elenco que já conhece muito bem seus métodos?
Não necessariamente existe apenas uma resposta.
Em uma temporada longa, treinador e jogadores dividem a responsabilidade pelo desempenho de uma equipe.
E o Palmeiras precisa descobrir rapidamente onde está o problema.
A vitória contra a LDU muda o cenário?
Muda um pouco.
Não resolve tudo.
O Palmeiras precisava de uma resposta depois de perder a liderança do Brasileiro e chegar às quartas de final da Libertadores sob pressão.
Conseguiu.
Contra a LDU, criou 23 finalizações e apresentou uma atuação melhor do que nas partidas anteriores.
Mas venceu por apenas 1 a 0.
Agora terá que decidir a classificação em Quito.
O confronto ganhou ainda mais peso porque a lembrança do ano passado está fresca.
Em 2025, a LDU venceu o Palmeiras por 3 a 0 no Equador. Depois, o Verdão conseguiu uma das maiores reações de sua história recente e venceu por 4 a 0 em São Paulo.
Desta vez, o cenário é diferente.
O Palmeiras chega ao Equador com uma vantagem mínima e sabe que um gol da LDU pode mudar completamente a dinâmica da eliminatória.
Além disso, Gustavo Gómez recebeu cartão amarelo na partida de ida e está fora do jogo de volta.
Ou seja, Abel terá mais um desafio para administrar.
Antes de Quito, existe o São Paulo
E é aí que a situação fica ainda mais interessante.
O Palmeiras não pode pensar exclusivamente na Libertadores.
Neste sábado, enfrenta o São Paulo pelo Campeonato Brasileiro, em um clássico que pode representar uma oportunidade de recuperar a liderança.
O Flamengo continua na frente e qualquer novo tropeço pode aumentar a pressão.
Abel terá, portanto, que administrar duas competições simultaneamente e encontrar equilíbrio entre preservar jogadores e colocar em campo uma equipe capaz de voltar a vencer no Brasileiro.
É justamente nesse momento que a experiência do treinador será colocada à prova.
O Palmeiras ainda depende de Abel?
Sim.
Mas Abel também depende deste Palmeiras.
Essa relação funcionou durante anos porque havia uma confiança quase automática entre treinador, elenco e torcida.
Quando o time precisava reagir, normalmente reagia.
Quando uma competição parecia escapar, aparecia uma resposta.
Agora, o torcedor começa a olhar para o banco de reservas esperando uma solução.
E talvez essa seja a maior pressão sobre Abel neste momento.
Não é simplesmente ganhar.
É mostrar que ainda existe uma resposta dentro desse grupo.
A temporada pode ser decidida agora
O Palmeiras ainda está vivo nas principais competições.
No Campeonato Brasileiro, está apenas um ponto atrás do Flamengo.
Na Copa do Brasil, está classificado para a semifinal.
E na Libertadores, tem uma vantagem de 1 a 0 sobre a LDU antes do jogo de volta.
Ou seja: a temporada está longe de estar perdida.
Mas também está longe de estar controlada.
O Palmeiras entrou naquela parte da temporada em que pequenos erros podem custar meses de trabalho.
E o calendário não vai dar tempo para Abel procurar respostas tranquilamente.
Primeiro vem o São Paulo.
Depois, Quito.
E esses dois jogos podem dizer muito sobre o Palmeiras que veremos na reta final de 2026.
Abel consegue dar a volta por cima?
Talvez essa seja a pergunta mais interessante neste momento.
Abel Ferreira já mostrou inúmeras vezes que sabe reagir.
O Palmeiras também.
A própria história recente do clube está cheia de momentos em que o time parecia pressionado e conseguiu encontrar forças para responder.
A história contra a LDU é um exemplo disso.
Mas existe uma diferença entre reagir uma vez e sustentar uma reação até o fim da temporada.
O Palmeiras precisa recuperar confiança, voltar a transformar suas oportunidades em gols e, principalmente, transmitir ao torcedor a sensação de que existe um plano.
A vitória sobre a LDU foi importante.
Mas ainda não é uma resposta definitiva.
Dois jogos para mudar a narrativa
O clássico contra o São Paulo pode recolocar o Palmeiras na disputa direta pela liderança.
O jogo contra a LDU pode colocar o clube novamente entre os quatro melhores da América.
Por isso, os próximos dias podem representar uma espécie de divisor de águas.
Se o Palmeiras vencer o clássico e avançar na Libertadores, a narrativa muda completamente.
A crise vira reação.
As dúvidas viram confiança.
E Abel volta a ser visto como o treinador que consegue encontrar soluções justamente quando a pressão aumenta.
Mas se o Palmeiras tropeçar novamente no Brasileiro e for eliminado em Quito, a discussão será inevitavelmente muito mais pesada.
As perguntas sobre Abel vão aumentar.
As dúvidas sobre o elenco também.
E a comparação com o final de 2025 deixará de ser apenas uma lembrança incômoda.
Passará a ser uma preocupação real.
O Palmeiras ainda tem tempo para mudar essa história.
Mas o tempo está acabando.
Na reta final de uma temporada, não basta ter construído uma grande campanha durante meses.
É preciso mostrar força quando a pressão aumenta.
E agora, mais do que nunca, o Palmeiras precisa provar que ainda é capaz de fazer isso.
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